Os perigos em confiar

Muito se ouve sobre confiar de maneira absoluta, ter confiança em uma pessoa, projeto ou não. Mas o contraste entre os opostos não é demasiado? Não existem pessoas em que confiamos para algumas coisas e outras não? Maior clareza sobre como funciona nosso processo de acreditar nas pessoas, colabora na hora de investirmos e comprarmos.

“Não confie em vendedores” é um dizer comum entre amigos e familiares, muitas vezes em função do nível de confiança oferecido às pessoas cujos interesses entram em conflito com os nossos próprios, mas por falta de interesse ou atenção, são negligenciados. No mundo financeiro, a primeira e mais comum desilusão ocorre com os gerentes de banco.

Ao confiar nosso dinheiro à uma instituição, às vezes por anos, vermos e utilizarmos de seus serviços (cartão de crédito, seguros, TEDs, empréstimos, etc), desenvolvemos em nós a tranquilidade e segurança de que tal empresa defende o nosso interesse. Tal relaxamento, que deveria nos permitir confiar que exatamente tais serviços deveriam acontecer sem problemas, se expande e naturalmente nos leva a crer e confiar que sugestões de investimento ou até empréstimos são igualmente vantajosos.

Não se trata de mentiras, um gerente do banco não falta com a verdade ao dizer que tal taxa é atrativa ou investimento é interessante, todavia, ele trata de seu microcosmo, de um campo amostral tão restrito quanto sua própria agência ou concorrentes diretos. É inclusive o banco, que por intermédio da competência de seus recursos humanos se utiliza de regras, metas e prazos auto estipulados, para criar em seus gerentes a necessidade de vender e em seus correntistas a de adquirir seus demais produtos.

Obviamente o cenário não se restringe a este tipo de empresa, a responsividade humana, os fatores que influenciam a tomada de decisão são amplamente estudados por diversos segmentos da psicologia, do martketing e de vendas. Entender como as pessoas pensam e fazem as coisas ajuda a ganharmos as simpatias, os favores e o dinheiro dos outros, o que permite que nós tenhamos recursos para sermos alvo do mesmo processo por outros profissionais.

Nesse sentido, aprofundarmos nossos conhecimentos e compreensões sobre como tomamos decisões, quando devemos confiar nas pessoas e até que ponto, seria nivelar o jogo, impedindo que aqueles com quem existe conflito de interesse já saiam na vantagem. Primeiro por percebê-los desta forma, segundo por ouvi-los com mais ceticismo e consciência.

Felizmente, evoluir em tais aspectos pode ser igualmente benéfico para que possamos valorizar mais as nossas particularidades, gostos, sentimentos e experiências, sem necessariamente sair divulgando eles a troco de migalhas como likes e visualizações. Cada detalhe que compõe a nossa essência é extremamente valioso, e deve ser oferecido àqueles que o merecem e em seu devido tempo, assim como cada real duramente conquistado através de nossa dedicação, trabalho e estudo.

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