Novo Projeto

Adriana sentia um vazio dentro de si, precisava ajudar mais, transformar o mundo com sua energia. Fazia tempo que tal sensação ganhava espaço dentro de si, mas seus compromissos com trabalho, família e amigos nunca permitiam e se sentia mal por conta disso. Sua passividade trouxe profundos questionamentos: “o uso do meu tempo me define?”, “estou me calando e consentindo ao não ajudar?”. E das respostas, surgiu a coragem para se voluntariar aos sábados em uma ONG que ajudava dependentes químicos.

Tão ricas as experiências e o sentimento de efetivamente colaborar em diminuir a injustiça social, que foi natural dar mais espaço à ONG em sua rotina, passando a ir ainda de terças e quintas. Da sua dedicação e empolgação, já se via propondo melhorias, implementando projetos e voluntariando-se para liderar os descompromissados que haviam entrado consigo.

Com sua evolução, percebia que algumas mudanças necessárias exigiam mais influência dentro da organização, precisava subir na hierarquia interna... foi quando decidiu se fazer presente todos os dias da semana. Estava certa de que seus resultados viriam em breve.

Contudo, ao dedicar-se tanto com a ONG, viu-se falhar nas outras áreas de sua vida... percebeu-se querendo mais do que podendo, mais exausta do que disposta e sem a paciência necessária para aguardar por melhores resultados. Enquanto isso, diante do frequente monitoramento e da recém-adquirida competência, suas conquistas, ora mágicas, diante de tanta expectativa, se tornavam apenas partes de um todo ainda não realizado.

A ansiedade se alojava, enquanto a exaustão ocupava o lugar da alegria, pensava: “Qual o sentido de tanto esforço se ele não acompanha resultados?”, "Faz sentido abrir mão de tudo por tão pouco?“. Sua mente provocava, enquanto respostas claras, tornavam-se turvas e o sentido se dissipava. Até que por amor próprio, decidiu sair da organização.

Anos depois, foi convidada por uma antiga colega de projeto para participar de um aniversário da ONG. Ainda se sensibilizava profundamente com as causas sociais, mas não tinha coragem de encarar o seu fracasso e desistência. Ciente de seus medos e traumas, a presidente, do outro lado da linha a confortou: “Venha só visitar, Adriana. Vamos aos pouquinhos! Como você acha que eu cheguei aqui”?

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