Não peça Uber até ler este artigo

O serviço de transporte por aplicativo teve início em 2009 com a Uber, seus idealizadores Garrett Camp e Travis Kalanick ousaram com a proposta inovadora de serviço de táxi de luxo. A aceitação dos usuários rapidamente despertou investimentos e um sentimento de euforia aos acionistas, que possibilitou a expansão do serviço além do seu país de origem.

 

A despeito da resistência por questões de segurança e de alguns países de particularidades culturais isoladas, a empresa agigantou-se brevemente. A ideia de um transporte barato, de alto padrão, que dispensasse os desconfortos de procurar táxis na rua ou falar no telefone apelou fortemente à grande maioria das gerações. Perdeu-se o hábito de falar ao telefone, de se confiar no motorista e nos seus trajetos preferenciais. E pela primeira vez, os taxistas enfrentaram uma concorrência direta.

 

Alegando tratar-se de “concorrência desleal”, sindicalistas se uniram, lutaram para atenuar os impactos financeiros sofridos pela mudança, no entanto, nem com aliados parlamentares conseguiram aprovar leis que impedissem a atuação do aplicativo. E do recém aberto market share, outros chegaram: Cabify,  99, Lyft, Wappa, etc. Com isso, foi iniciada a grande mudança na estrutura do transporte coletivo e individual.

 

Dentre os prejudicados, estão também as empresas de ônibus, que perderam significativa fatia de mercado para os novos concorrentes como o Uber Juntos (ou Pool como era conhecido antes) na qual pessoas podem compartilhar corridas, barateando-as. Tido como "transporte coletivo irregular" pelos opositores, até agora o poder público foi ativado em 15 cidades para tomar providências a respeito. Contudo o que se percebe são apenas imposições governamentais para a equidade dos preços, o que acaba prejudicando apenas a empresa, o motorista e o cliente final.

 

A deslealdade advém do oferecimento de um serviço de transporte de qualidade igual ou superior por um preço menor. Ironicamente, o que agrega valor ao transporte por aplicativo é justamente a concorrência, veículos mais recentes e bem cuidados recebem benefícios, motoristas mais atenciosos recebem incentivos e,  interessantemente, ao invés de perceber isso e se reinventar para tornar o próprio serviço exclusivo transporte mais atraente, busca-se a desmoralização, descrédito e ruína da competição. Como em uma infatil trama de novela.

 

Passados alguns anos e desentendimentos, hoje enfrentamos uma situação de relativo balanço entre as opções, preferências à parte, resta saber então qual a mais econômica. Para isso podemos usar de algumas ferramentas:

 

  1. Google Maps - Indica os caminhos possíveis, juntamente aos preços de cada uma das opções

  2. Vah - Indica os preços de cada uma das opções e concede descontos

 

O mercado mudou muito, o que é perfeitamente normal e saudável. O mesmo ocorre com a realidade financeira de cada uma de nós. As variações dentre as diferentes modalidades são saudáveis disputas pelo mercado, que a cada dia se mostra mais forte e alienado. Se em um primeiro momento o indivíduo sabia exatamente quanto gastaria de transporte em um mês (por saber o valor da passagem de ônibus e do metrô), em um segundo momento ele via o taxímetro acabar com as suas possibilidades (falando aí de um passado onde ainda andava-se com dinheiro físico). Hoje, transportar-se é tão simples quanto clicar em um único botão. Débito/Crédito realizado, lida-se com o problema no futuro.

 

A evolução dos sistemas de transportes não foi acompanhada por uma adaptação humana de lidar financeiramente com tudo isso. O que na maioria das vezes significa que mesmo munidos de caminhos mais baratos, confortáveis e fáceis, ainda sim o gasto médio das pessoas com transporte aumentou. Ou seja, ao banalizar os deslocamentos (dada a facilidade), acabamos nos utilizando mais das ferramentas disponíveis, tanto no quesito transporte, quanto no quesito de transferência bancária e pagamento. Sendo assim, gasta-se mais para se fazer a mesma coisa, com a ilusão de que não apenas está ganhando tempo, como também dinheiro. Mas tudo bem, afinal, a fatura chega apenas no mês seguinte, não?

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