Aprendendo de formas diferentes

Série: Finanças pessoais em contos

O dia em que a mestra se superou

O cheiro estava magnífico: ovos, geléia, pães artesanais e o café moído típico da região Sul remetiam a sua infância, época que sonhava em refeições como essa, que a comida podia ser percebida, mas não degustada, na qual o paladar desencontrava do olfato, pois o que estava disponível não seria suportado somando os sentidos.

 

Mel vivia cada refeição com a fúria de um passado amargurado, mas atento para que cada prato pedido fosse entregue oferecendo a mesma experiência. É por isso que voltam e havia conquistado tamanha freguesia. Ou ao menos era o que pensava.

 

Certo dia, enquanto servia um cliente regular, um maltês e seu clássico brioche à manteiga, ouviu um casal de dalmatas latir sobre um novo restaurante incrível, cujo Chef era um astro de cinema. O rato francês havia tocado o mundo com o filme que retratava suas origens no mundo da culinária.

 

Curiosa e sentindo-se ameaçada, Mel voltou a lembrar de seu período varrendo lixos por restos de comida e foi ter com o pequeno Chef de cozinha. Lá, maravilhou-se com a refeição. Realmente havia algo especial em seu processo, tanto que foi logo tentar descobrir do que se tratava.

 

Ao acessar a zona restrita, reparou que o Chef jogava itens para cima, arrastava-os pela bancada, chacoalhava tudo e, cantando, preparava o especial da casa. Os poucos segundos que tivera haviam sido suficientes para entender como melhorar suas receitas. Havia de aprender e viver de uma forma diferente a mesma coisa.

 

Quanto cadela, dependia e confiava muito em seu olfato e paladar, mas como tinha um tamanho que a permitia acesso a tudo facilmente, negligenciou a sua capacidade auditiva. Com maior atenção, passou a notar o ponto de preparo de certos pratos, diferenciar o nível de maturidade dos vegetais e, sobretudo, a se deliciar ouvindo uma música enquanto fazia o que amava.

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